Descobrindo os arquétipos em si

A quarentena é uma pausa mundial que clama por silêncio, consciências existenciais e autocuidado. Além disto, também nos pede para repensarmos nossas formas de consumo e o impacto que nossas escolhas causam no planeta e no próximo. A razão do distanciamento se deu pelo modo de consumo desenfreado e a violência estrutural. O filósofo Ailton Krenak cita em seu livro "O amanhã não está a venda", que o momento presente é "Um anzol nos puxando para a consciência. Um tranco para olharmos para o que realmente importa".

Os arcanos do Tarot e a representação destes arquétipos pode ser uma ferramenta de autoconhecimento, assim como é também um portal para nossa conexão com energias ancestrais. Pretendendo conversar com estes arcanos e símbolos desde o meu lugar no mundo, em um movimento de antropofagia, produzi representações que expressam minhas práticas em conjunto com alguns elementos e ensinamentos indígenas. Assim, evidenciando a potência deste diálogo sobre a importância do cuidado comigo mesma, com a natureza e a coletividade no contexto atual. Premissas estas que são urgentes para repensar as formas de produção, relações e valores sociais, inclusive na periferia.

A conexão que realizei no universo da fotografia se apresenta como uma navegação entre duas margens, dois mundos e seus pontos de encontro. A utilização de arcanos que carregam em si grandes significados, por meio da fotografia, tornou possível transformar e ressignificar estes através da minha vivência como indígena diaspórica, pobre e trabalhadora autônoma que hoje habita as periferias de Recife.

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