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Coquevídeo

Experimentar é criar outros mundos

O Narrativas Periféricas do Fim desse Mundo reativou nxs jovens que participam do Coquevídeo o desejo de criar, já que este andava meio comprometido por conta das limitações que a pandemia impôs. Por outro lado foi um grande desafio, e de certa forma um “trabalho de conclusão de curso”, pois xs jovens que se dispuseram a participar da mostra tiveram que colocar em prática todos os módulos do curso e executar todas as etapas da produção, desde a escritura do projeto até a entrega da obra finalizada. Vale ressaltar também que a maior parte dos projetos audiovisuais foram filmados e editados pelo celular.

Miguel Canuto, também conhecidx como Pérola Negra, com apenas 13 anos, é x mais jovem dxs participantes e nos apresenta "Sonhos Periféricos", onde performa a música Amarelo de Emicida para exaltar as lutas e conquistas das pessoas periféricas, pois, como elx mesmo diz “na periferia sempre nasce uma estrela”.

Em "Sobrecarga viral - Representações de um isolamento cognitivo", Danielly Ferreira constrói uma videoarte que experimenta a partir das sensações e transformações que a pandemia trouxe para a vida doméstica.

Elyson Santos e Ed Mcy chegam com tudo trazendo seus videoclipes de rap. Em "Desmoronando por Dentro", Ed Mcy trata dos conflitos internos e ocultos que habitam as pessoas. Já em "Speed Flow Periférico", Elyson Santos traz imagens que valorizam sua comunidade e contesta a ideia (racista) de que pessoas com lábios maiores não conseguem cantar o  “speed flow”, modalidade de rap cantado muito rápido.

Medusa e Matheus Luciano fazem de seus filmes ferramentas para apontar contradições e injustiças sociais, com uma presença muito forte da poesia. Em "Tragédia", poderíamos dizer que Matheus Luciano constrói um manifesto, mostrando as lutas de combate ao racismo, ao machismo e à LGBTfobia, e reivindicando o espaço desses corpos/identidades em nossa sociedade. Em "Sem Saída", Medusa nos lembra que, na favela, todo dia parece o fim do mundo, evidenciando que as dificuldades da pandemia são um agravamento das adversidades vividas cotidianamente nas periferias.

Em "Mais uma hora se passa e a justiça não faz nada", Erin Canuto, também conhecidx como Odara, produz uma vídeo-performance para expressar sua afetação e indignação pela morte de Miguel Santana, menino negro de 5 anos morto em meio a pandemia pelo racismo de Sari Côrte Real.

Thays Moura, partindo de uma estética que poderíamos chamar de “Youtuber”, tão presente em nossas vidas atualmente, faz uma reflexão sobre como a juventude vem lidando com a pandemia e a importância de se estar conectado no vídeo "Meu Olhar para 2020". Já em "Interperifa", Lucax com X convida cinco artistas pretas para partilharem suas experiências artísticas e como estão sendo afetadas pela pandemia.

Além das nove produções audiovisuais citadas, a categoria Coquevídeo traz três ensaios fotográficos.

"Jarro" de Ivson Laurenço, é uma foto-performance decorrente das sensações de um corpo em quarentena, que se mantém vivo, mas de alguma maneira passa a compor esse espaço limitado por onde transita.

“De Khalo mas não me calo pois é da arte que falo” traz a experimentação de Thiago Souza, que entre luz e sombra, joga consigo mesmo nessa experiência que é a quarentena.

"Insubmissão de Corpos Retalhados" é um trabalho do Revelar.si, coletivo de mulheres fotógrafas do Coque, que, através de um ensaio de foto-colagem extremamente poético, nos provoca a refletir sobre os padrões colonizadores a que são submetidos as corpas femininas e as múltiplas possibilidades de criação e existência que residem na rebeldia e insubmissão dessas corpas.

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